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O QUE PODE ESTA LÍNGUA?
 


No mundo globalizado, onde todos precisam entender todos, muitas vezes surge a impressão
de que a língua portuguesa, apesar de falada por mais de
200 milhões de pessoas, pode desaparecer. Afinal, ela é importante para o
cenário mundial ou não?


P
ortugal se formou na primeira metade do século XII. Cerca de 250 anos depois, com a chamada Revolução de Avis, tornou-se uma das primeiras nações européias “modernas”, marcada pela centralização política e desenvolvimento comercial. No período das grandes navegações, Portugal explorou a costa ocidental da África, dobrou o cabo da Boa Esperança, alcançou a Índia, a China, o Japão e começou a colonizar o Brasil.

Como conseqüência desse pioneirismo náutico de Portugal, a língua portuguesa alcançou certa importância como língua de cultura no início dos tempos modernos. Por exemplo, na Ásia – onde os portugueses marcaram presença em inúmeras localidades, como Diu, Damão, Bombaim, Goa, Sri Lanka (antigo Ceilão), Málaca, Java, Timor e Macau – o português funcionou como meio de comunicação de europeus e asiáticos entre os séculos XVI e XVIII.

Segundo registros levantados pelo filólogo Serafim da Silva Neto, citados em sua História da Língua Portuguesa, um tratado celebrado entre holandeses e javaneses no final do século XVI foi redigido em português. Igualmente, o contato entre holandeses e o rei do Ceilão em meados do século XVII ocorreu, por imposição do rei, em português e não em holandês.

Também na África o português apresentava boa penetração. O explorador inglês Windham, por exemplo, também citado por Serafim da Silva Neto, em visita à Guiné em 1551, relata que “o rei de Benim falou em português aos ingleses, língua que ele tinha aprendido desde a infância”.


A SOMBRA DO PORTUNHOL

Em abril de 2000, justamente quando se comemoravam os 500 anos da chegada da expedição de Pedro Álvares Cabral ao Brasil, o lingüista norte-americano Steven Fischer afirmou, em entrevista à revista Veja, que o aumento das trocas comerciais e do contato do Brasil com os demais países sul-americanos levará a uma mistura do português com o espanhol, dando origem “a uma espécie de portunhol”.

A declaração, como não podia deixar de ser, suscitou uma boa polêmica. Em entrevista à revista eletrônica ComCiência, o lingüista Mário Perini considerou que as declarações de Steven Fischer seriam “muito pouco fundamentadas no conhecimento lingüístico atual”. Para ele, “não há o menor sintoma” de que o português vá se misturar com o espanhol. Além disso, salienta, “o desaparecimento de uma língua em favor de outra é um processo de muitos séculos”, de modo que “falar da substituição do português por outra língua qualquer no Brasil é se apressar muito”.

Seja como for, vale observar que Steven Fischer não é o único a salientar a “concorrência” do espanhol. O jornalista Jaime Spitzkovsky observa “a sombra” desse idioma. Para ele, “o peso da população hispânica nos EUA, o crescimento político e econômico da Espanha e as fronteiras da América Latina levam muita gente a optar pelo estudo da língua espanhola, achando que com o domínio dela também é possível ‘se virar’ em países que falam português”. E merece destaque a aguerrida política de promoção da Espanha e do idioma espanhol desde a criação do Instituto Cervantes. Para o professor galego José del Valle, estudioso dessa política de expansão, os espanhóis transformaram seu idioma numa mercadoria e a estão vendendo por todo o mundo.



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