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Você pode ainda não ter ouvido falar
em aspecto verbal, mas certamente utiliza essa categoria
gramatical
no seu dia-a-dia
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A
expressão PRETÉRITO PERFEITO DO INDICATIVO é
bastante comum numa aula de Português. Mas será
que todos sabemos, exatamente, o que ela significa?
• O termo PRETÉRITO indica a categoria gramatical
do tempo
• INDICATIVO designa o modo verbal
• E o termo PERFEITO, o que ele indica?
Essa talvez seja a parte menos compreendida. As denominações
perfeito e imperfeito expressam uma categoria gramatical conhecida
como o aspecto do verbo.
É bastante antiga a percepção de que
as noções de tempo e modo não dariam
conta, sozinhas, da variedade de formas verbais em grego,
latim e, posteriormente, nas línguas derivadas do latim,
como o português. Compare:
O tigre caçou de noite.
O tigre caçava de noite.
O tigre caçara de noite.
As três formas verbais dos enunciados – caçou,
caçava, caçara – encontram-se no tempo
pretérito e no modo indicativo. Mas é claro
que há certa distinção de significado
entre elas. E é essa especificidade que tentamos perceber
dizendo que caçou expressa o pretérito perfeito;
caçava, o pretérito imperfeito; e caçara,
o pretérito mais-que-perfeito do verbo caçar.
Para compreender adequadamente esse ponto, precisamos primeiro
nos reportar aos textos narrativos (aqueles que “contam
uma história”). Afinal, neles, há uma
enorme presença de verbos no passado.
Como sabemos, a narração é uma modalidade
de texto estruturada com base em uma seqüência
de ações (o enredo) que provocam alterações
nos estados narrativos. Assim, o texto narrativo opõe
momentos descritivos, em que se apresenta um dado estado de
coisas, e momentos propriamente narrativos, em que ocorrem
ações que alteram esse estado de coisas.
Observe como esses conceitos estão implicados na pequena
narrativa a seguir, extraída do romance brasileiro
Memórias de um Sargento de Milícias, de Manuel
Antônio de Almeida. Nela, o personagem Leonardo segue
para a prisão escoltado pelos “granadeiros”
(soldados) do major Vidigal:
Voltemos a saber o que foi feito do Leonardo, a quem deixamos
na ocasião em que fora arrancado pelo Vidigal dos braços
do amor e da folia.
O Vidigal (…) marchava poucos passos atrás. Enquanto
caminhava o granadeiro pretendeu dar-lhe conversa; mas ele
a nada respondia, parecendo absorto em grave cogitação.
(…)
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