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Ela é dinâmica,
plástica, aberta,
em contínuo movimento, e não há
dicionário ou gramática que
consiga congelá-la
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Analisar
cientificamente uma língua não é nada
fácil. Os lingüistas, que são os profissionais
que se dedicam a essa tarefa, sabem disso muito bem, porque
deparam o tempo todo com as inesgotáveis complexidades
estruturais e funcionais da língua.
Para se ter uma idéia, basta lembrar que qualquer língua
é uma realidade estrutural infinita. Entendamos bem
isso: o número de sons da fala de que se serve uma
língua é finito (em torno de três dezenas).
O número de suas palavras (ainda que imenso) é
finito (calcula-se que uma língua como o português
tem algo em torno de meio milhão de palavras). O número
de regras com as quais organizamos os enunciados é
também finito (embora não tenhamos ainda idéia
clara de sua quantidade). Apesar disso tudo, o número
de enunciados possíveis numa língua qualquer
é infinito.
Há um dizer clássico entre os lingüistas
que resume bem essa propriedade das línguas humanas:
a língua faz uso infinito de meios finitos. Até
onde vai nosso conhecimento, nenhuma outra espécie
animal dispõe de um sistema semiótico infinito
como nós humanos.
Variações
sobre o tema
Poderíamos supor que, sendo finitos os meios estruturais,
bastaria que eles fossem descritos para alcançarmos
uma apresentação científica completa
de uma língua. No entanto, as coisas não são
tão simples assim. Primeiro, porque a língua
não se esgota em sua estrutura. Para analisá-la
adequadamente, temos de considerar também seu funcionamento
social.
Segundo, porque nenhuma língua é uma estrutura
homogênea e uniforme. Qualquer língua se multiplica
em inúmeras variedades a tal ponto que muitos chegam
a dizer que atrás de um nome – português,
por exemplo – se escondem, de fato, muitas “línguas”.
Trata-se aqui, por exemplo, de variedades geográficas
(os chamados dialetos), sociais (os dialetos urbanos e rurais,
os jargões profissionais, as gírias, os registros
e gêneros próprios de cada atividade humana)
e estilísticas (variedades próprias da fala,
da escrita, estilos formais ou informais, familiares ou vulgares).
Acrescentemos a toda essa gama de variedades as peculiaridades
de fala e escrita de cada um dos falantes (afinal, não
há duas pessoas que falem ou escrevam exatamente do
mesmo modo) e começaremos a ter uma idéia da
imensidão da língua.
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