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A internet revolucionou o comportamento,
as
relações e fez surgir
um novo código, que a moçada domina
na ponta dos dedos
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Por
razões que até hoje não são completamente
claras, o imaginário de muita gente identifica língua
com língua escrita (a fala seria cheia de vícios…).
Essa identificação é reforçada
quando se discute grafia, ou quando, por alguma outra razão,
ela vai para o primeiro plano. Por exemplo, foram comuns,
nos tempos em que se discutiu a última reforma ortográfica,
até hoje encruada, manchetes que anunciavam “como
ia ficar a língua portuguesa”.
As matérias listavam amostras da mudança preconizada.
Por exemplo, o trema cairia (e “lingüiça”
ficaria “linguiça”), como também
cairia o hífen em certos casos (e então “super-
homem” ficaria “superomem”). No entanto,
era fácil verificar que a língua não
mudaria em nada, que apenas seriam modificadas algumas regras
de sua representação escrita, sem nenhuma conseqüência
para a sintaxe, para a morfologia, para o sentido das palavras
e nem mesmo para sua pronúncia.
Por
que retomar esse tópico, perguntará o leitor,
se o tema é o internetês? Ora, porque as mesmas
sandices de então vêm sendo repetidas, agora
a propósito do que seria uma suposta “linguagem”
da internet.
Para variar, quando o tópico é esse, tudo vem
bastante misturado. São mencionados, como se fizessem
parte do mesmo pacote, fatos diversos. Vêm juntos todos
os preconceitos contra os usuários da tal linguagem,
acusados de serem jovens iletrados (às vezes, com alguma
razão), de fazerem a espécie regredir, de destruírem
nossa amada língua portuguesa.
Vou tentar deixar claro, a seguir, que, quando se ataca a
linguagem da internet (se é que há uma!), nem
sempre se sabe muito bem do que se fala. E que, em conseqüência,
as análises deveriam ser outras.
Grafia, e não linguagem
Mas o que é, afinal, o tal do internetês? Trata-se,
simplesmente, de aspectos da escrita empregada em e-mails,
em chats, em blogs. Talvez, principalmente em chats, que são
“conversas” escritas que grupos mantêm entre
si.
Ainda mais especificamente – pelo menos é esse
o sentido que a mídia dá a essa palavra –,
trata-se da grafia utilizada por certos usuários dos
computadores, em geral, jovens adolescentes que passam horas
“teclando”, isto é, trocando mensagens
por escrito. Em resumo, trata-se apenas de grafia.
É claro que essa grafia é empregada nos textos
enviados e recebidos, e alguns analistas se valem da oportunidade
para desancar os textos dos adolescentes. Em geral, apenas
aproveitam a carona para redizer os lugares-comuns de sempre
sobre a suposta ignorância da nossa juventude, que,
entre outras coisas, vejam só, escreve de forma ininteligível…
para os velhotes que culpam os que escrevem pelo fato de não
conseguirem ler suas mensagens (em vez de aproveitarem para
aprender alguma coisa diferente).
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