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CALDEIRÃO DE CULTURAS
 

 

A miscigenação, característica de
nosso povo, também
é um traço marcante do português falado no Brasil


C
ada vez mais o Brasil assume sua identidade pluriétnica. Assistimos a um despertar da consciência de que, ao longo de mais de 500 anos de história, diversos povos se entrecruzaram, no mais das vezes de forma dramática e violenta, para formarem a sociedade brasileira.


Isso se traduz no crescente reconhecimento das diferenças de cor da pele, das diversas tradições culturais e dos múltiplos hábitos que compõem a riqueza cultural da nossa sociedade. E não deixa de impressionar que, por sobre esse imenso mosaico cultural, se estenda uma única língua: a portuguesa. É essa a língua materna da quase totalidade da população do País.


Mas nem sempre foi assim. Rosa Virgínia Mattos e Silva, grande nome da pesquisa sobre a história da língua portuguesa, define bem a história lingüística do Brasil como a passagem de um “multilingüismo generalizado para um multilingüismo localizado”. Hoje, existem cerca de 180 línguas indígenas que ainda sobrevivem no território brasileiro, além das línguas dos núcleos de imigrantes, como alemães, italianos, japoneses, coreanos, etc.

 

A grande homogeneidade lingüística do Brasil faz-nos esquecer
de que por muito tempo a língua portuguesa teve que conviver com grandes contingentes de falantes nativos de línguas indígenas e africanas e de como esse convívio afetou a nossa história lingüística.


No início da colonização, na década de 1530, habitavam o território brasileiro cerca de 2,4 milhões de índios. Esse número foi drasticamente reduzido já no primeiro século de ocupação européia, em função da beligerância dos colonizadores, do trabalho forçado e, sobretudo, das epidemias de varíola, malária, sífilis e de todas as doenças trazidas pelo homem branco, contra as quais as populações indígenas não tinham defesas orgânicas.


O genocídio tem se prolongado até os dias de hoje, fazendo com que a população indígena tenha se reduzido a pouco mais
de 300 mil indivíduos. Ao lado disso, podemos falar também de
um verdadeiro glotocídio (extermínio de línguas), pois estimase
que eram faladas no Brasil mais de 1200 línguas indígenas, contra as 180 atuais.


A base que veio do tupi
Mas a relação dos primeiros colonizadores portugueses com os índios que habitavam a costa do Brasil não foi sempre a mesma. Na Bahia e em Pernambuco, os centros mais dinâmicos da economia colonial, onde se desenvolveu a próspera lavoura da cana-de-açúcar, os índios foram logo expulsos ou dizimados.


Já nas zonas periféricas da colônia, como São Paulo e Maranhão, os poucos colonizadores europeus, na sua imensa maioria homens, acasalaram-se maciçamente com as mulheres indígenas, aproveitando-se da tradição tupi do cunhadismo, na qual os membros de uma tribo cediam suas irmãs para os membros de outras tribos para selarem alianças.




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