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A PALAVRA QUE NOS (in, con, de, trans...) FORMA

 

 

 

 

 

 

Campo aberto do idioma,
o léxico é uma zona de disputa,
de expansão e de contração que reformula a língua o tempo todo


A
pesar de certos conteúdos comuns a todas as culturas, o léxico de uma língua específica expressa uma visão de mundo particular, que de modo algum pode ser considerada sempre natural ou universal.


O antropólogo estadunidense Franz Boas difundiu o que provavelmente seja o exemplo mais conhecido sobre as diferenças vocabulares entre os idiomas. Analisando a língua dos esquimós, ele observou que esta possuía um número muito maior de vocábulos para aquilo que as línguas ocidentais denominam neve e para a “cor” a que chamamos branco. Naturalmente, Boas atribuiu esse fato à maior importância sociocultural dessas distinções para o mundo dos esquimós do que para o nosso.


Há muitos outros exemplos semelhantes. Áreas terminológicas,
como o sistema de parentesco ou o de cores, podem variar bastante de um idioma para outro. Em latim, por exemplo, não existe um nome para o que identificamos como azul, cor que os latinos associavam ao verde ou ao púrpura. Em compensação, possuíam dois termos para o nosso branco: o branco “brilhante” (como o do mármore ao sol) se dizia candidus, ao passo que o branco opaco (próprio, por exemplo, da pintura gasta de certos objetos) era albus.


No limite, tal abordagem levou à consideração de que, ao menos em parte, a língua determina nossa percepção da realidade. Em especial, deve-se aos lingüistas norte-americanos Edward Sapir e Benjamin Whorf a formulação de um conjunto consistente de teses sobre o modo como a língua influencia nossa visão de mundo – o que ficou conhecido como hipótese Sapir-Whorf.


O que significam as palavras?
Não é fácil definir o conteúdo de uma palavra ou expressão. Sem entrar em uma discussão complexa, inadequada a este texto, podemos compreender que as teorias sobre a linguagem em geral falam do conteúdo como o conjunto de eventos que os termos designam no mundo real ou como o conjunto de relações que eles contraem com outros termos do idioma.


Compare, por exemplo, o par de enunciados a seguir:


O vencedor da batalha de Austerlitz governou a França durante cerca de 15 anos.


O perdedor da batalha de Waterloo governou a França durante cerca de 15 anos.


Ambos os enunciados referem-se ao general e estadista francês Napoleão Bonaparte (1769-1821). Mas é evidente que não apresentam exatamente o “mesmo” sentido. Enquanto o primeiro faz uma referência elogiosa a Napoleão, pois o designa como “um vencedor”, o segundo põe em evidência a derrota por ele sofrida em Waterloo.

 




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