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Como transitivo direto ou vicário, a regência do verbo ser é muito mais complexa do que normalmente explicam as
gramáticas escolares
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O verbo “ser” é ensinado nas gramáticas
como cópula, em predicados
nominais, como em “José
é bom”, ou como auxiliar da voz
passiva analítica, como em “ele foi
ferido pelo bandido”. Raramente
se fala no verbo “ser” intransitivo,
como em “penso, logo sou”, mas
em nenhuma gramática se faz referência
ao verbo “ser” como verbo
vicário ou como transitivo direto.
Evanildo Bechara, em suas
Lições de Português pela Análise
Sintática de 1960, citando o início
de histórias, particularmente
os Contos Tradicionais do Brasil,
de Câmara Cascudo, aponta uma
tendência a empregar-se impessoalmente
o verbo “ser” na expressão
estereotipada “era uma vez”.
Mas apresenta também outra análise
que lhe foi sugerida em carta
pessoal por Martinz de Aguiar: o
verbo teria por sujeito o sintagma
nominal seguinte, mas ficaria sem
flexão por uma questão de “inércia
mental”. Assim, em “era uma vez
dois corcundas”, pelas duas análises
propostas no livro de Bechara,
pode-se concluir que ou o verbo “ser” não tem sujeito (e seria um
verbo de ligação, e dois corcundas
seria um predicativo do sujeito zero)
ou tem por sujeito dois corcundas,
e seria intransitivo.
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