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A QUESTÃO DO PALAVRÃO
 

Os mesmos vocábulos que podem ter caráter discriminatório e agressivo também podem ser usados de forma contrária e enriquecer a língua


“A proibição de uma palavra é que faz dela um intrumento de violência”

Lenny Bruce


Na edição passada, esta coluna mergulhou na língua falada e tratou das gírias. Faltou a questão da gíria obscena, mote do artigo desta edição. Antes de tudo, é importante ressaltar que esta é uma tentativa de entender um fenômeno lingüístico, sem nenhuma intenção de julgá-lo. É lógico que isso é bastante difícil, afinal é uma linguagem ainda hoje vista com restrições, tabu sustentado principalmente pela moral, afinal, as proibições lingüísticas são pautadas pelas relações sociais. Por esse motivo,
o que ocorre normalmente é o silêncio sobre o assunto.

 

Os palavrões são definidos por palavras que contenham idéia ofensiva ou depreciativa, representante de tabus sexuais ou que façam alusão a alguma parte sexual ou ao ato em si. São consideradas palavras de baixo calão e classificadas comumente como gírias. Essa junção em um único grupo se deve à dificuldade em separá-las. Normalmente, elas têm significados diferentes para o mesmo uso.

 

Representação rebelde
É publico e notório que a população atribui valores éticos às palavras. Mesmo cercados de todas essas restrições, os palavrões sobrevivem em vários ambientes da nossa sociedade. Na produção destinada ao público jovem, por exemplo, está claro o poder expressivo e de representantes de rebeldia que eles têm, mesmo quando não explicitamente citados. Nas revistas em quadrinhos, por exemplo, sempre há a alusão às tão perigosas e temidas palavras. Quando a fala de um personagem exige uma expressão mais forte, lá está o balãozinho com as tão famosas cobras e outros sinais gráficos que apontam para o uso dos famigerados palavrões.

 

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