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O documentário é um gênero jornalístico que cria no espectador um efeito de
realidade maior que o do papel impresso
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A linguagem jornalística caracteriza-se, essencialmente, pelo efeito de objetividade que produz. Embora
não seja a reprodução fiel da realidade, o texto jornalístico, em qualquer formato, cria no receptor a
sensação de verdade. Existe uma espécie de pacto fiduciário. O leitor comum tende a pensar que “é verdade
porque saiu no jornal”, ou seja, que o jornalismo é um retrato perfeito da realidade.
Ocorre que, como qualquer texto, a reportagem é uma construção da realidade, cujo aspecto representativo
denuncia uma alusão, portanto jamais o fato real. O enunciado é sempre construído baseado
no ponto de vista do sujeito da enunciação. Não é a realidade que se apresenta ao público, mas a construção
lingüística que se faz a partir dela.
A objetividade, portanto, não existe, apenas seu efeito, que é criado por meio de mecanismos lingüísticos que
dão outros ecos e valores significativos à mensagem. Usa-se, por exemplo, a terceira pessoa para narrar e índices
de referencialidade, ou seja, elementos que remetem ao “real”. O uso de declarações é um desses índices.
No formato do documentário parece que a impressão de verdade se fortalece no público. Não são
apenas as palavras que criam esse efeito. Existem as imagens, ou seja, o espectador vê as pessoas falando,
ouve suas vozes, vê os lugares; um exemplo do poder da “dupla articulação” de que o meio audiovisual
dispõe. A sensação é de que tudo ocorreu de fato como é apresentado. Tem-se a impressão de que
os testemunhos são uma expressão legítima do real. Mas não podemos esquecer que o documentário é
também um enunciado, não é neutro.
Uma das características importantes de qualquer documentário é justamente o aspecto autoral. Trata-se
de um gênero fortemente marcado pelo olhar do diretor, que, muitas vezes, deixa clara sua posição para o
espectador. O diretor, normalmente, não tenta disfarçar sua subjetividade. Ele constrói sua narrativa com
base no material colhido. O seu olhar direciona desde a seleção de entrevistados até a edição.
Deve-se considerar que o ato de filmar em si modifica a realidade, pois a reduz para uma forma bidimensional
e limita a percepção a dois sentidos: audição e visão. Além disso, a escolha dos planos, a movimentação
das câmeras e a trilha sonora são elementos importantes na construção do sentido.
O documentário, na verdade, é um texto que mescla a linguagem jornalística com a cinematográfica.
Tem como base a apuração dos fatos, a procura de fontes, mas é comum a ampla utilização de montagens
ficcionais na sua produção. Alguns documentários se valem de muitas práticas ou convenções que
são associadas à ficção, como, por exemplo, roteirização, encenação, reconstituição, ensaio e interpretação.
Por isso se fala também em cinema de não-ficção, e alguns autores consideram-no como um gênero
híbrido. O documentário oferece ao público uma construção da realidade, traçada de acordo com a sensibilidade
e o repertório de um cineasta.
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