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MEDIDA ETERNA
 

Tempo e idade – conceitos de significados e valores
variados no decorrer da história – encontram uma
diferença básica nas acepções de suas raízes latinas
e gregas respectivamente


B
reves sunt dies hominis... sola Aeternitas longa.
(Breves são os dias dos homens ... apenas a eternidade é longa.)


Talvez o tempo seja a criação mais instigante e curiosa da raça humana. Conceito complexo e interessante que incessantemente não pára de ser reciclado e re-observado pelas mais diversas áreas do conhecimento, da filosofia à física. Da gramática à astronomia.


Da culinária à poesia. Contudo, poucos são aqueles que atentam que a língua e mais precisamente o estudo dos étimos transistoricamente nos oferecem diversos e variados matizes do termo, associando-lhe nomes específicos e aplicações práticas próprias igualmente específicas.


Bom exemplo disso, entretanto, ocorre não no português, mas no inglês, afinal nenhum falante dessa língua teria dúvidas em distinguir tense e time. Enquanto o primeiro nomeia o tempo verbal, que toma como referência o momento da enunciação, o segundo se ocupa do conceito abstrato e relativo que é traduzido pelo primeiro lingüisticamente.

 

Apesar de não encontrarmos em português tal especificidade, temos, assim como eles, falantes do inglês, nuanças várias do conceito que, vez por outra, são empregadas de maneira indistinta e pouco atenta. Penso, por exemplo, em dois conceitos temporais: tempo e idade. Antes, contudo, de tratá-los com vagar sob a ótica lingüística da diacronia, poderíamos pensá-lo, o tempo, de forma mais geral.

 

Conceito irreal
Na Antiguidade clássica greco-romana abundam exemplos dessa sistemática reciclagem e re-observação do conceito. Desde os pré-socráticos, Parmênides (530-460 a.C.) e Zenão de Eléia (495-430 a.C.), até Santo Agostinho (354-430 d.C.) já nas portas da Idade Média, encontram-se filósofos que, com muita habilidade e, por vezes, com pouca clareza, ousam desvelar seus segredos e mistérios.


Para Platão (427-348 a.C.), por exemplo, o tempo não é um conceito verdadeiro, pois que apenas participa do mundo sensível, aquele em que as coisas são mutáveis, mediadas que são pelos mortais, agentes, portanto, do “não-ser”. A despeito de sua origem cosmológica, o tempo teria nascido, pois, da organização do caos, ele subsiste graças às sensações inerentes a cada pessoa, distante, assim, de uma Verdade absoluta.

 




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