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VALORES POSSÍVEIS
 

Uma análise sobre as propriedades semânticas dos verbos
polissêmicos, seus processos metafóricos e múltiplos significados


A
polissemia é um fenômeno lingüístico comum a todas as línguas. Caracteriza um item lexical com uma variedade múltipla de significados, que mantêm uma certa relação de sentido entre si.


Assim, na frase “Veja só essa letra!” tem-se vários significados para a palavra “letra”: um dos sinais gráficos do alfabeto, um título de crédito ou texto em verso de certas músicas. Entretanto, em todos os significados possíveis, existe um certo sentido básico, relacionado a coisas escritas.


O conceito de polissemia e a sua estrutura, ou seja, como as palavras polissêmicas se apresentam no léxico, são uma questão, ainda, bastante polêmica. Primeiramente, do ponto de vista teórico, como explicitação dos processos cognitivos da mente humana e, em segundo lugar, do ponto de vista do ensino, haja vista o volume de dados que um léxico contém.

 

Lakoff e Johnson, em 1980 e 2002, afirmaram existir um sentido canônico, mais concreto, marcado no léxico, como origem do processo metafórico, mas a criação das polissemias se daria a partir de uma idéia relacional, ou seja, mais abstrata, que não estaria marcada no léxico.

 

Essa idéia relacional, portanto, não seria o sentido primeiro do verbo – o chamado sentido canônico, que vem primeiramente à cabeça do falante – quando você pergunta, por exemplo, o que significa “quebrar”? Ele vai nos dar o sentido canônico: alguma coisa como partir, estilhaçar. A partir desse primeiro sentido, marcado no léxico, alguma idéia comum dá origem a outros significados, em processo cognitivo de construções de metáforas, fora do léxico. É uma idéia tirada desse primeiro sentido, mas não
está no léxico.


Outro exemplo é o verbo “afogar”. Sentido canônico: matar ou morrer por asfixia [está no léxico]. “João afogou o gato.” Idéia relacional: mudar alguém ou algo de estado [não está no léxico]. “João afogou suas tristezas na bebida.” Essa seria alguma estrutura que se depreende do primeiro significado do verbo.


Partindo desses pressupostos, foi investigado o comportamento de alguns verbos polissêmicos no português do Brasil, associando-o às possíveis atribuições de papéis temáticos.

 

Semânticas e metáforas
Márcia Cançado, em 2003 e 2005, fez uma proposta na atribuição
de papéis temáticos, usando um conjunto de propriedades semânticas explicitadas por acarretamentos lexicais e pela composição dessas propriedades. Ela apresentou quatro propriedades fundamentais:




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