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O renomado tradutor, professor e especialista em latim analisa criticamente
o histórico recente do ensino de português no Brasil
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Durante décadas, Peterlini lecionou
na USP. Foi professor
dos maiores professores do Brasil.
Tradutor, seu estilo incomparável,
sua habilidade na escolha
das palavras, sua experiência
com as línguas trazem ao leitor
um texto inconfundível e incomparável.
Por outro lado, a modéstia
que abraça as grandes mentes
está também nele presente. Não
há quem, conhecendo seu trabalho,
não o respeite. Não há quem,
conhecendo-o, não o admire.
E não há quem não se espante com a precisão com que as palavras são escolhidas e com a
inabalável calma deste professor
que conhece o latim como ninguém. “Inabalável”, dizem os
colegas. A calma da experiência
e do conhecimento.
Autoridade em latim e em literatura
latina, Peterlini lecionou
durante anos na graduação
dos cursos de letras e na pós-graduação.
Hoje, aposentado, ainda
mantém uma apertadíssima
agenda, em cujas páginas gentilmente
aceitou anotar um horário
para conversar com a Discutindo
Língua Portuguesa. Deu uma
verdadeira aula sobre educação,
ensino de língua portuguesa e
história do Brasil.
DISCUTINDO LÍNGUA PORTUGUESA –
O que o senhor acha do ensino de língua
portuguesa hoje no Brasil?
ARIOVALDO AUGUSTO PETERLINI –
A pergunta tem as dimensões do
Brasil e a resposta está confinada à visão e experiência de um professor
que, anos faz, não leciona
português, mas, por outro lado,
sobre ser “viciado” em estudos de língua portuguesa, desde os
14 anos de idade, valeu-se sempre
dos conhecimentos de nossa língua
para ensinar latim. Ao longo
de 50 anos, pude sentir, no trato
com a maior parte dos alunos que
ingressavam no ensino superior, o
lento degringolar de sua competência
em assuntos da língua pátria.
Hoje, a leitura diária de jornais
e livros, o ouvir constante
das declarações de nossos homens
públicos eivadas de tanta incorreção
servem de comprovar, à sociedade,
que o ensino do português
no Brasil vai de mal a pior.
É claro, alunos há que conhecem
bastante a língua portuguesa
e se esmeram em aperfeiçoar-se
nela, mas, valha a verdade, são
eles mesmos o princípio ativo
desse saber, aproveitando-se de
quanto lhes cai nas mãos para
progredir. Isso sempre houve e
não conta aqui, porque em tudo
a “natureza” garante sempre sua
elite de preservação. O que realmente
interessa à pergunta é se
a escola tem conseguido levar a
maioria das crianças e jovens a
ela confiados a interessar-se por
escrever com correção, a entender
a preceito uma leitura de informação
ou mesmo científica, a
falar com exatidão e clareza.
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