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BANZAI!
 

A festa dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil coroa uma das mais intensas trocas culturais (e lingüísticas!) já ocorrida entre o Ocidente e o Oriente


N
o dia 18 de junho de 1908, o navio Kasato-Maru atracou no porto de Santos no litoral paulista. A bordo, trazia 781 pessoas que fugiam da falta de emprego no Japão e cruzavam os mares com a esperança de encontrar novas oportunidades. Os primeiros imigrantes da terra do sol nascente traziam muito mais do que o pouco que puderam portar em suas malas: carregavam consigo uma bagagem cultural de incomensurável riqueza, que influenciaria definitivamente os costumes brasileiros.


Cem anos mais tarde, o Brasil abriga a maior comunidade de descendentes de japoneses no mundo. Marcam presença nas artes plásticas, na agricultura, na religião, nos hábitos domésticos, nos esportes, na culinária e também na língua portuguesa.


Hoje, inúmeros vocábulos de origem nipônica estão incorporados ao português nas áreas em que a presença cultural do país asiático se faz mais forte. É o caso de origami, ikebana, “xintoísmo”, “quimono”, hashi, ofurô, “sumô” e “judô”. Algumas dessas palavras encontram-se dicionarizadas, tais como “tatame”, sushi, “missô”, “saquê” e “camicase”.

 

Japonês de brasileiro
O cenário atual de integração cultural – reforçada em tempos de globalização –, no entanto, é fruto de uma trajetória repleta de obstáculos e desafios ao longo de um século. Muito antes de os termos japoneses se tornarem populares no Brasil, os primeiros colonos esbarraram nas dificuldades lingüísticas encontradas em sua nova terra.


A gramática da língua japonesa, embora bastante diferente da língua portuguesa, é relativamente simples e regular. Por isso falantes nativos de japonês costumam precisar de um esforço suplementar para o aprendizado de línguas estrangeiras.


Alóctone, o idioma falado pelos imigrantes no Brasil, denominado coroniagô (língua de colônia), em que se misturam termos das línguas japonesa e brasileira, não se atualizou. É como se tivesse parado no tempo, ao passo que, no Japão, a língua em constante mudança absorveu muitas expressões estrangeiras – sobretudo estadunidenses, em razão primeiro da ocupação dos Estados Unidos no território japonês no pós-guerra e, atualmente, da dominação cultural do país ocidental.

 

Assim, grande parte dos brasileiros com ascendência nipônica usa o japonês antigo para se comunicar e encontra dificuldades em compreender a língua japonesa atual. Por exemplo, a palavra “banheiro” ainda é usada como benjyô pelos imigrantes. No Japão, contudo, o termo é visto de forma depreciada – hoje é socialmente aceito o vocábulo toirê, derivado do francês toilette (também conhecido aqui como “toalete”).




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