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SACERDOTE DA LINGÜÍSTICA
 

O filólogo e ex-padre Celso Luft foi, além de um dos
mais importantes estudiosos da gramática, um grande
entusiasta de sua simplificação


C
elso Pedro Luft era filho de um mestre-escola, que despertou no jovem o gosto pela música e a paixão pelas Letras que viria a transformá-lo, futuramente, em um renomado filólogo. Nascido em 28 de maio de 1921 em Poço das Antas – antigo distrito de Montenegro com muitos imigrantes alemães –, todos lembram dele como grande leitor, apaixonado pelas páginas em que se aprofundava mais e mais, desde que descobriu o alfabeto. Como tantos, estudou em Porto Alegre durante a adolescência, no seminário dos Irmãos Maristas, no Instituto Champagnat.


Grande pesquisador, dedicou-se a autores franceses e brasileiros. Tão bem conhecia os mestres da gramática que neles se inspirava para mais e mais aprofundar-se em seus estudos. Em 1940, iniciou seus estudos na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras na Pontifícia Universidade Católica (PUC), também em Porto Alegre. Matriculou-se em letras clássicas, curso em que se dedicou ao grego, latim e português. Esse contato profundo com tais idiomas seria seu guia em futuros trabalhos e definiria parte de sua orientação de estudos.

 

Formas de gramática
Em 1947, começou também a trabalhar na Faculdade de Letras da PUC, nas áreas de Filologia e Gramática. Como contam seus alunos, em todas as aulas a teoria sobre textos coexistia com a dedicação à prática de análise de obras medievais, renascentistas e modernas. Em 1954, Luft seguiu para a Europa, para renovar seus estudos e, depois de passar pela França, foi a Portugal, onde realizou cursos com Luiz Lindley Cintra, em Lisboa, e, em Coimbra, com Manuel Paiva Baléo e José Herculano de Carvalho.


Sua jornada durou até 1957, quando começou a pôr em prática as lições aprendidas com os mestres europeus. Passou a nortear seu trabalho, naquele momento, pelas orientações do grande filólogo Manuel Said Ali Ida (1861-1953): “É dever de todo o autor de gramática aplanar tanto quanto possível a estrada ao estudante e ajudá-lo a vencer as dificuldades técnicas próprias do idioma latino”. Para Said Ali, há várias formas de gramática: histórica, descritiva e comparativa, e cada uma delas serve a um propósito e tem seu valor definido.

 




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