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O uso cotidiano e a mídia trabalham
juntos na manutenção (ou não)
das expressões populares
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Nem sempre se percebe, mas
aqui e ali surgem expressões
novas. Quando surgem, vêm assim,
de mansinho, e logo estão
“na boca do povo”. É difícil saber
quando algum deles vai se tornar
moda e ser usado por muitos,
ou quando será esquecido. Mas
existem alguns indicadores que
ajudam, ao menos, a apostar numa
das alternativas.
Há pouco tempo, numa empresa
de São Bernardo do Campo,
SP, durante um telefonema, uma
secretária reclamou com o departamento
de Compras. Disse que a
jarra da cafeteira estava quase quebrando.
Avisou que havia o perigo
de a jarra se quebrar, etc. Em certo
momento da conversa, em tom um
tanto exaltado, disse: “Você vai esperar
a jarra quebrar?!”
Alguns dias mais tarde, outra
funcionária, que ouvira apenas
parte da conversa (essa acima,
reproduzida entre aspas), numa
tentativa de pressionar o departamento
com o qual conversava, disse: “Olha que eu vou quebrar
a jarra, heim?! Aí você vai ver!”.
Na hora, ninguém entendeu.
Mais tarde, a indignada funcionária
repetiu que “se não se quebra
a jarra, não se consegue nada”.
Surgiu nesse dia, naquela hora,
a expressão “quebrar a jarra”.
Provavelmente, com o tempo, o
sentido mude um pouco. É comum
que isso aconteça. Mas, até
lá, quebrar a jarra vai significar “chutar o balde”, “exaltar-se”,
“tomar providências drásticas”.
Se essa expressão vai vencer
os limites da fábrica? Improvável.
Talvez morra por ali mesmo, sem
deixar vestígios, como tantas outras
que desaparecem rapidamente
porque não têm, por exemplo,
a mídia para divulgá-las. Ela é a
maior formadora de expressões
(e bordões) do dia-a-dia. Tais
bordões, em especial, são usados
para cativar o público, criar familiaridade
e, é claro, atender às expectativas
dessa mesma audiência,
que espera a piada repetida.
Não é tão estranho: crianças também
vêem exaustivamente (para
os pais, talvez?) os mesmos desenhos
animados, os mesmos filmes,
os mesmos programas... A
expectativa do resultado conhecido,
do riso, da emoção, que a
criança experimenta e quer repetir,
são justificativas suficientes
para repetir, e repetir, e repetir,
e repetir... (veja o quadro “Fala animada”)
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