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CULTURA EM ESTÉREO
 

 

O ensino de espanhol na escola reacendeu a antiga discussão
sobre a melhor forma de se aprender um segundo idioma e a real funcionalidade da experiência bilíngüe


H
á dez anos, acontecia, na região da Galícia (Espanha), o 1º Simpósio Internacional de Bilingüismo. Depois de muitas seções, palestras, debates e da realização da segunda edição do evento, em 2002, e de inúmeros outros congressos e encontros regionais, esse assunto – o bilingüismo – ainda gera muita controvérsia. A recente inclusão do ensino obrigatório do idioma espanhol no currículo escolar brasileiro voltou a esquentar as discussões. Afinal, ensinar uma segunda língua na escola regular,
que é freqüentada pela maioria das crianças e dos adolescentes do Brasil, realmente vai tornar aquela pessoa bilíngüe? Ou a imersão no idioma é fundamental?


Há pessoas que não tiveram essa experiência, mas falam muito bem um segundo idioma, e, se consideram bilíngües, por exemplo. Assim como há aqueles que têm pouco domínio, mas são filhos de estrangeiros, tiveram contato freqüente com a segunda língua desde cedo, e nem por isso se consideram bilíngües (e talvez não sejam mesmo). Há, também, aquelas pessoas que falam e escrevem muito bem em duas línguas – os chamados bilíngües funcionais.

 

Talvez por isso seja difícil debater o bilingüismo, uma vez que encontrar um significado simples do termo já é complicado. E, por ser múltiplo, acaba ficando meio indefinido. “O bilingüismo é uma característica da pessoa e da relação que ela estabelece com a língua. Tem a ver com o contexto de aprendizagem”, define Fernanda Liberali, professora de pós-graduação na área de Lingüística Aplicada e Estudos da Linguagem e do Departamento de Inglês da PUC-SP.

 

Mesmo quem estuda o assunto acha a definição complicada. Isso tudo porque há diferentes tipos de bilíngüe. “É um conceito muito difícil”, admite Paulina Roca, professora doutora do Departamento
de Lingüística da Faculdade de Comunicação e Filosofia da PUC-SP e pesquisadora de bilingüismo na área de Produção e Percepção da Fala. Ela explica que existe o bilingüismo de infância, quando a criança aprende a segunda língua em casa, antes dos três anos de idade – aqueles casos em que os pais têm nacionalidades diferentes, e cada um se comunica em um idioma com o filho desde o berço – ou na pré-escola internacional principalmente.


Há uma certa preocupação com a confusão que os pequenos podem fazer – o que é absolutamente normal. No começo, eles podem misturar os idiomas. “Às vezes a criança até demora a deslanchar, mas depois aprende a sistematizar. E ela sabe exatamente com quem falar tal língua”, exemplifica Paulina.“Pode até demorar para aprender as duas línguas ao mesmo tempo, mas ela vai aprender a mapear na cabeça”, completa.

 

Para Fernanda – que também é uma das organizadoras do 3º Congresso Internacional Bilíngüe da América Latina – quanto mais cedo o contato com outro idioma, melhor. E isso significa que, se aos três anos a criança não tem a segunda língua em casa, pode, sim, aprender em uma escola internacional. Isso porque o aparelho fonador começa a enrijecer por volta dos sete anos, fase em que o idioma leva mais tempo para ser assimilado.




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