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O EMPREGO DO PORTUGUÊS
 

As empresas forjaram uma linguagem prolixa e desnecessária que ainda “sofre forte apreciação” no mercado de trabalho – embora já não garanta mais sua entrada nele


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ouve uma época em que as empresas cobravam de seus funcionários domínio da Língua Inglesa – o famoso “inglês fluente”. Esse era um critério usado por muitas companhias para selecionar os futuros empregados. Muitas vezes os tais conhecimentos do idioma estrangeiro nem seriam utilizados na função assumida pelo felizardo contratado, mas era imprescindível que ele trouxesse, em sua lista de predicados, o domínio de outro idioma.


Não muito tempo depois, as empresas perceberam o que era (ou deveria ser) óbvio: excelentes em falar outro idioma, muitos funcionários deixavam a desejar quando solicitados a escrever em Português. Apesar de saltarem aos olhos, não são apenas os tais “erros ortográficos” os grandes inimigos do candidato.

 

O fator que mais costuma tirar pontos de um funcionário ou pretendente a tal é a dificuldade em articular pensamentos de maneira clara e precisa. Esse é o maior desafio do brasileiro no mercado de trabalho.

 

Escrever é economizar
Consultores contratados por grandes empresas procuram detectar as falhas de comunicação dentro de um escritório. Para isso são feitas avaliações quanto ao atendimento e à eficiência de funcionários. Uma queixa muito comum em tempos de e-mail e internet é o gasto exacerbado de alguns departamentos com telefonemas. Muitas vezes esse problema tem parte de sua raiz na inabilidade de escrita do profissional.

 

Exemplo: um consumidor escreve para determinada empresa e solicita o orçamento de certo equipamento. Um dos engenheiros telefona e combina preços e procedimentos com o futuro comprador. A origem do pedido é de fora da cidade da sede e isso significa um telefonema interurbano, pago pela empresa. Outro exemplo: feito o pedido por e-mail, o funcionário imediatamente cota o pedido ou o providencia sem confirmar com o comprador o fechamento do negócio. Resultado: o cliente, sem resposta, compra de algum concorrente. Nos dois casos, não responder ao e-mail levou a um aumento nos custos da empresa.

Geralmente, engenheiros, vendedores, secretárias e funcionários de outros setores sabem, sim, escrever, ainda que deixem escapar“erros” em seus textos. Mas há um medo de redigir qualquer tipo de documento apoiado numa pretensa comparação com seu superior hierárquico e a sabedoria lingüística que possui. Por mais que existam esforços isolados no sentido contrário, falar difícil ainda é amostra de uma falsa erudição. Assim, “enrolar” tudo faz da clareza um elemento menos valorizado.




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