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ALPES TUPINIQUINS
 

Apesar do pouco apoio das instituições brasileiras, cerca de 90 mil brasileiros se organizam na Suíça para manter viva a cultura nacional e a Língua Portuguesa


A
História fez dos séculos 15 e 16 os portões de entrada da Língua Portuguesa para o mundo. De Portugal ela ramificou-se para as colônias a partir do império, redefinindo, assim, o quadro lingüístico de locais onde até então havia somente os falares dos nativos. Desse modo é que pouco a pouco os atuais Brasil, Angola, Moçambique e alguns mais passam a ter no Português o retrato oficial do seu processo de colonização. Hoje o idioma está entre as dez línguas mais faladas no mundo, e é o Brasil, com seus mais de 180 milhões de habitantes, em grande parte o responsável pela representatividade do idioma.


Não só a exportação cultural que fascina os estrangeiros por meio da música, do cinema e do futebol, mas também o próprio contato social– reforçado pelo número crescente de migrantes que procuram vida nova em outros países. Hoje cerca de 4 milhões de brasileiros vivem no exterior. Mais de 130 mil pessoas buscaram acolhida em território europeu e, entre elas, 90 mil especificamente na montanhosa Suíça.

 

Alguns partem por amor, outros, por simples turismo. Muitos saem por uma vida economicamente mais estável, ainda que o custo para isso seja alto – tanto a sujeição a trabalhos pesados, como a dificuldade de adaptação a uma cultura diversa. Do turismo ao laço empregatício, empresas multinacionais brasileiras
também ampliam o seu mercado no exterior. Essa força econômica torna o aprendizado do Português valorizado fora do Brasil – principalmente em razão do Mercosul –, mas também recebe atenção nos EUA e na Europa. E, se por um lado cada vez mais pessoas que não são falantes nativos do Português optam por essa língua como segundo idioma, por outro a herança lusitana funciona como elo entre os migrantes e o País que deixaram. E, assim como são muitos os brasileiros que emigraram, são também muitos os seus filhos que vivem além-mar (veja o quadro “Direito à pátria”). A Língua Portuguesa deve ser, também para essas novas gerações, a conexão cultural enfraquecida pela distância do Brasil.

 

Multiculturalismo
Milhares são os brasileiros que vivem na Suíça, e muitos também são os conterrâneos de Camões. O Português é a 6ª língua mais falada no território suíço, junto a outras de demais comunidades imigrantes e aos quatro idiomas oficiais do país: Alemão (64% dos falantes), Francês (19%), Italiano (8%) e Romanche (1%).


Com uma tradição multicultural que remonta às suas origens, a Suíça conta hoje mais de 20% de estrangeiros em sua população. Eles entram no país em busca da conhecida segurança econômica, mas também – considerando-se o quadro mundial das últimas décadas – em busca de asilo político em razão de guerras civis que esfacelaram muitos países, como os do extinto bloco soviético. Entre os brasileiros há os interessados nos estudos acadêmicos, que cumprem integral ou parcialmente suas atividades nas universidades locais; os que são atraídos pelo mercado de trabalho; e aqueles, em sua maioria mulheres, que acabam fixando residência após terem se casado com um cidadão suíço. Acrescentam-se, por fim, as crianças que, vindas do Brasil ou nascidas em território suíço, mantêm relação com o Brasil por meio de viagens casuais e pelo idioma, resguardado pelo contato com os pais e com a comunidade de brasileiros residentes.

 

Na Suíça, uma criança ou jovem cujo pai ou mãe é de origem brasileira convive diariamente com inúmeras línguas. No caso mais comum, além de ter em casa contato com ao menos dois idiomas, a criança ainda depara com a diversidade lingüística das ruas, por sua vez transposta às salas de aula – a porcentagem aproximada de alunos não-suíços chega a 20%.

 




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