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PALAVRAS DE HONRA
 

Adiado há quase 20 anos, o
Congresso Nacional deve aprovar, até 2008, o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, definido com Portugal e outros países lusófonos


P
arece que agora vai. Festejado por alguns, execrado por outros, um novo acordo ortográfico para a Língua Portuguesa finalmente deve entrar em vigor, 17 anos depois de o texto ser ratificado por Brasil, Portugal e outros seis países lusófonos. É claro que ainda falta um pouco para que o sonho (ou pesadelo) se realize: precisa passar na Câmara e no Senado para a sanção. Fala-se em aprovação do Congresso em 2008. Mas o acordo deve entrar em vigor, realmente, por volta de 2010, pois os livros didáticos precisarão de um prazo para serem revistos e modificados. Até lá, contudo, valerão, durante um período de adaptação, as duas grafias.


É bom que se saiba que esse não foi o primeiro e, imagino, não será o último acordo ortográfico estabelecido entre os países lusófonos. Desde tempos longínquos que a querela lingüística se mantém, e a discussão sobre vários pontos, normalmente controversos e frágeis, permanece alimentando um jogo pueril em que se debatem orgulhos nacionais e interesses ordinariamente discutíveis. Ainda assim, vale a pena tentar entender o que se passa com esse novo acordo.

 

Aldeia global
A ortografia da Língua Portuguesa, como se sabe, já transitou pela fase fonética (até o século 16); pelo Renascimento, como uma espécie de resgate das raízes greco-latinas; pelo período pseudo-etimológico, de muitos exageros, diga-se de passagem; chegando, finalmente, à fase dita “moderna”, a partir de 1911, num projeto de ortografia simplificada, contrário ao despotismo exagerado da etimologia até então. Em 1971, novo acordo, novas cedências brasileiras, novos impasses... Em maio de 1986, outro esforço interessante, mas com novas lacunas.

 

Ainda que menos ambicioso se comparado ao projeto de maio de 1986, o novo acordo de 1990 reflete um esforço tenso, eivado de
críticas, discordâncias e alguns elogios. A pretensão ainda é um utópico vocabulário comum, não obstante consiga alguns avanços nessa direção.


A Língua Portuguesa, terceira maior em número de falantes no Ocidente (5ª no mundo) e única falada por mais de 200 milhões de pessoas que tem, no entanto, mais de uma ortografia oficial. Portanto, os países e falantes lusófonos, com vistas à idéia de aldeia global e todos os interesses e implicações que tal conceito envolve, ainda encontram obstáculos efetivamente restritivos na difusão bibliográfica de seus conteúdos, reflexões e conquistas. Esses são fatores importantes na permuta de conhecimentos na área tecnológica, por exemplo, ou no alto custo econômico para a produção de livros e documentos, em tudo prejudicando a circulação de um vasto patrimônio de variado matiz, que em muito nos enriqueceria mutuamente, sobretudo para as nações menos desenvolvidas estruturalmente.




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