 |
Há 120 anos, Ludovic Lazarus Zamenhof criou o
Esperanto, idioma baseado em diversas línguas,
para unir todos os povos do planeta
|
Seu primeiro nome é citado em idiomas
diferentes, dependendo do biógrafo: Lázaro
Luiz, Ludovic Lazarus, Ludwik Lejzer ou Ludwik
Lazarz. É até compreensível, dada a fluência
em nove línguas que o biografado possuía –
não por acaso é também o criador do Esperanto,
a língua planejada (e não artificial, veja
a entrevista com Pedro Cavalheiro, na pág.
18) mais falada e bem-sucedida do mundo.
Assim, este ano de 2007 é uma homenagem
dupla ao tal Lázaro Luiz Zamenhof: não só pelos
seus 90 anos de morte, mas também pelo
idioma, que completa 120 anos.
Zamenhof (1859-1917) foi oftalmologista
e filólogo. Adquiriu como línguas maternas
o Russo, o Iídiche e o Polonês, além de
dominar o Alemão fluentemente. Aprendeu,
mais tarde, Francês, Latim, Grego, Hebraico e
Inglês, e tinha conhecimentos de Italiano, Espanhol
e Lituano. Essa fascinação por idiomas
lhe deu a idéia de criar uma língua simples,
funcional, prática e, principalmente, universal.
Havia, é claro, outros motivos.
Zamenhof nasceu na Polônia, na época
anexada ao império russo, na pequena cidade
de Bialystok, marcada por lutas raciais. O
problema era agravado pelo fato de, só nessa cidade, serem falados quatro idiomas oficiais
(Russo, Alemão, Polonês e Iídiche). Para
ter uma idéia, quando a Polônia pertencia ao
império russo, eram faladas cerca de 200 línguas
diferentes. Essa situação marcaria profundamente
o jovem Zamenhof e despertaria
nele a idéia da “língua neutra”.
Idéias na fogueira
Na quinta série do Ensino Fundamental
começou o contato de Zamenhof com o Inglês;
no Ensino Médio dedicou-se ao Grego e ao Latim.
Chegou a pensar na possibilidade de uma
delas tomar o posto de língua internacional.
Entretanto, ele as considerava difíceis, além de
apresentar construções que julgava desnecessárias.
E esse seria um dos nortes para o Esperanto – uma língua que fosse rápida para
aprender, fácil, simples, objetiva e funcional.
Quando sua família se mudou para a
capital Varsóvia, Zamenhof levou consigo
seu projeto e, em 5 de dezembro de 1878,
comemorou com alguns colegas do ginásio o
nascimento do manuscrito “Língua Internacional”,
um rascunho do que seria o Esperanto.
Conta-se que a ocasião mereceu até
um bolo, feito carinhosamente por sua mãe.
Zamenhof preparava-se para estudar Medicina
quando o pai o fez prometer que abandonaria
a idéia da língua universal, promessa
assegurada com a entrega dos manuscritos
sobre o idioma que criara. Seu pai, conhecido
por ser rigoroso e prudente, temia que aqueles
textos atrapalhassem o futuro de seu filho
e, para assegurar-se disso, os queimou.
Como, ao fim do curso, não podiam mantê-lo em Moscou, Zamenhof regressou a Varsóvia
aos 22 anos e procurou por seus cadernos.
As lágrimas da mãe lhe contaram o
que os lábios não podiam dizer. Procurou o
pai e pediu que o livrasse da promessa.
|