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ÚLTIMA PALAVRA
 

 

 

Ortografia em DESENCANTO


O
mineiro Fernando Rodrigues Leite é, por formação, contador. Mas sua vasta experiência no mundo dos escritórios e departamentos empresariais acabou por gerar outra afinidade além daquela com os números: as palavras. Leite, 70, já elaborou centenas de recursos administrativos, editais, representações e correspondências, função que continua a exercer como profissional autônomo. Também se dedicou à Literatura, tendo escrito mais de 300 trovas – sua especialidade. Há pouco tempo, escreveu e publicou independentemente Ortografia Rasional, livro no qual apresenta propostas para tornar a ortografia da Língua Portuguesa mais fonética que aquela à qual estamos acostumados, ligadas à origem etimológica da palavra. Em suas 304 páginas, trata de temas como ortografia, fonema, alfabeto, neologismos, vestibular e gramática, entre outros. Sempre visando à proposta de simplificar a atual ortografia do Português. Proposta que – como prova o exemplo a seguir, extraído do livro de Leite – deve agradar à geração da internet e da cultura pop. Será que você consegue entender o que está escrito?

 

O RATO DA SIDADE E O DA ALDEIA
Konta-se ke uma vez um Rato, ke morava em uma sidade, foi a uma aldeia onde morava outro Rato seu amigo. Kuando o Rato da sidade xegou à aldeia, onde morava o Rato ke era seu amigo, teve grande prazer em vê-Io, sendo ke o mesmo lhe deu de komer favas, trigo e grão-de-biko, entre outros manjares.

 

E depois ke eles komeram, o Rato da sidade agradeseu muinto ao Rato da aldeia pela grande kortezia ke lhe fizera, e Rogou-lhe ke fose à sidade kom ele,à kaza onde morava, pois ali lhe pretendia dar muintas iguarias delikadas. Tanto pediu ke o dito Rato foi kom ele para a sidade.

 

E levou-o a uma kozinha onde morava, na kual avia muintas galinhas e karne de porko, kom outros bons pratos; e dise-Ihe ke komese à sua vontade. E estando eles asim komendo, seguros, a seu talante, xegou o kozinheiro e abriu a porta da kozinha; e o Rato da sidade, ke sabia o kostume da kaza, fujiu logo, e o outro Rato, uma vez ke não sabia o kostume, fikou. E o kozinheiro, andando atrás dele kom um pau na mão para matá-Io, feriu-o muinto; porém ele fujiu e partiu muinto ferido.


O Rato da sidade, vendo-o, xamou-o para ke viese novamente komer kom ele, e ke não fikase kom medo. E o outro Rato lhe respondeu:


Meu amigo, antes estivese até agora sem komer, pelo konvite ke me fizestes! A mim me aprás mais komer trigo, favas e grão-de-biko em pás, ke galinhas e frangos kom temor e perigo de morte. A pás, a kual senpre tenho komigo, fás kom ke as minhas komidas sejam delikadas. E por iso, as tuas komidas, guarda-as kontigo, ke eu me kontento kom a ke tenho.


E, ditas esas palavras, partiu.




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