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UM OLHAR SOBRE PAULO FREIRE
 

 

A vida e o trabalho do educador pernambucano que dez anos após sua morte continua a influenciar e inspirar a Pedagogia


M
ais que recapitular a obra de um importante personagem na história da Educação brasileira, falar sobre Paulo Freire (1921-1997) é discorrer sobre uma prática libertadora e progressista. Um método que começou a ser delineado por um menino que aprendeu a ler no chão do quintal, escrevendo e desenhando palavras com gravetos e misturando letras para entender o mundo.


Paulo Freire nasceu em Pernambuco, em 19 de setembro de 1921. Viveu a infância e a adolescência na cidade de Recife, capital do Estado. Foi nessa época que uma professora marcou sua vida escolar: Eunice. Jovem, ela ensinou ao menino Paulo que “a escola não era um lugar de medo e de pavor, mas de reparar na maneira bonita de dizer as palavras”.


As dificuldades de sua pobre, mas bela vida, o levou a procurar entender a diferença entre o ter e o ser. Além das históricas carências sociais do Nordeste, Freire passou necessidade em razão da crise de 1929, conseqüência da quebra da bolsa de Nova York. Eram tempos de calças curtas, mas o desejo de saber era grande.

Alfabetizar e politizar
Persistente, Paulo entrou na Universidade de Recife em 1943. Antes de concluir o curso de Direito se casou, em 1944, com Elza Maria Costa de Oliveira, professora como ele. O casal teve cinco filhos e permaneceria junto até a morte de Elza, em 1986.


Por volta de 1947, quando assumiu a direção do setor de Educação e Cultura do Serviço Social da Indústria (Sesi), estabeleceu os primeiros contatos com a Educação de adultos.


Naquele momento, percebeu a importância da questão da alfabetização, em particular a de adultos. Desde muito antes de virar moda, Paulo Freire já falava em Ética e cidadania. Seu discurso revela um desejo intenso de mudança. Aprender a ler era, para ele, mais do que decifrar as letras: era entender as ameaças, perceber as injustiças e desenvolver uma consciência política para que se pudesse lutar contra as duas primeiras.


Além disso, Freire levantava a bandeira do ensino de adultos como forma de incluir politicamente aqueles que não tinham direito ao voto nas eleições presidenciais, no caso os analfabetos. Desse modo, a prática idealizada por Freire pretendia conscientizar os cidadãos de seu papel na construção da sociedade.

 

Uma das ferramentas para isso foi o Movimento de Cultura Popular do Recife, do qual Freire foi um dos fundadores. Criado no final dos anos 50, os centros culturais do movimento contribuíram para a valorização das artes regionais e de outros temas de ampla aceitação popular.




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