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Máquinas inteligentes não são produtos da
ficção científica,
mas uma realidade baseada
em linguagem de algoritmos
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A resposta mais óbvia para a
pergunta “uma máquina é
capaz de falar?” seria, supostamente,
“por que não?”
Afinal, vivemos cercados por máquinas
falantes: aparelhos de CD,
rádios, iPods, televisores. Mas talvez
haja mais coisas implícitas na pergunta
do que essa resposta imediata
dá a entender. Talvez se queira saber
se uma máquina é capaz de dialogar.
Certamente elas são capazes
de mentir, como percebe qualquer
pessoa que tenha escutado a doce
voz de um computador, ao telefone,
dizer “sua ligação é muito importante
para nós”.
Mas mesmo o exemplo do serviço
de auto-atendimento eletrônico deixa
a desejar. Como no caso dos aparelhos
de reproduzir música, a máquina
não está, pessoalmente, mentindo
para nós: ela apenas repete a mentira
que, no fundo, é do dono da empresa.
As máquinas têm o que o filósofo estadunidense
Daniel C. Dennett (1942-) – um dos principais estudiosos contemporâneos
da natureza, da mente
e da consciência – chama de “intencionalidade
derivada”, ou seja, uma
ferramenta que executa as intenções
de outrem. E intencionalidade derivada,
neste caso, não vale.
Então, a pergunta “uma máquina é capaz de falar?”, devidamente
formulada, torna-se “uma máquina é capaz de aprender uma linguagem
tão sofisticada quanto a humana,
e usá-la de forma criativa, de
modo a expressar intenções próprias
e a estabelecer um diálogo inteligente
com uma pessoa?”
Não se quer uma máquina capaz
de discutir o cinema de Alfred
Hitchcock ou os romances de Umberto
Eco. Um aparelho que balbucie
como uma criança esperta e
bem-nutrida de três anos já estaria
de bom tamanho. Existe hoje uma
máquina capaz de fazer isso? Não.
Ela poderá existir um dia? Esta última
questão é polêmica – mas merece,
ao menos neste ponto, a mesma
resposta dada à nossa pergunta inicial: “por que não?”
Algoritmos e criatividade
Uma saída clássica para essa inquietação
é lembrar que computadores,
reais ou universais, funcionam
executando algoritmos, conjuntos
de instruções encadeadas
logicamente para produzir um resultado
de modo que, se as ordens
forem seguidas corretamente, esse
resultado é certo.
As regras para somar, subtrair,
multiplicar e dividir que aprendemos
na escola são algoritmos: se eu
tomar dois números e fizer corretamente
a divisão de um pelo outro
(“aplicar o algoritmo de dividir”),
posso ter 100% de certeza de que o
quociente estará correto.
O caráter determinístico dos algoritmos
parece depor contra a possibilidade
de existir um computador
que use a linguagem com a mesma
competência de um ser humano. Afinal,
a linguagem não se limita apenas à aplicação de regras, é também criativa;
a linguagem pode ser imprevisível,
enquanto os algoritmos são previsíveis;
a linguagem é expressiva, e
os algoritmos, enfadonhos. Essa visão,
no entanto, é causada por uma
compreensão limitada do que são algoritmos,
e do potencial que grandes
encadeamentos deles têm para gerar
um comportamento complexo.
Dizer, por exemplo, que tudo
que é feito a partir de algoritmos é
perfeitamente previsível equivale a
afirmar que os resultados de todas
as operações realizadas em computadores
são perfeitamente previsíveis.
Mas qualquer programador
poderá desiludi-lo dessa idéia ingênua;
poucas criações humanas são
mais surpreendentes e imprevisíveis
que um software.
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