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UMA LUZ SOBRE O IDIOMA
 


Inaugurado o Museu da Língua
Portuguesa, que celebra a relação
entre linguagem, cultura e
realidade com recursos
tecnológicos de última geração


F
oi aberto ao público, em 21 de março, na Estação da Luz, centro de São Paulo, o Museu da Língua Portuguesa, o primeiro do gênero em todo o mundo. O projeto foi realizado pelo Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Roberto Marinho, como parte de um amplo programa
de revitalização da região central da maior cidade do Brasil. O investimento atinge R$ 37 milhões.


O museu ocupa 4.333 metros quadrados, divididos em três andares. Os dois pisos superiores abrigam a estrutura permanente, que desponta já no elevador e conta com obras de arte, auditório, anfiteatro multimídia, um telão, computadores e painéis interativos. O pavimento inferior é reservado para exposições transitórias, com duração média de seis meses. A primeira mostra tem curadoria de Bia Lessa e celebra os 50 anos de publicação de Grande Sertão: Veredas (1956), o magistral romance de Guimarães Rosa (1908-1967).

 

Além do espaço museográfico, o projeto desdobra-se em um centro de capacitação permanente de professores de Língua Portuguesa e um portal de internet – no endereço www.estacaodaluz.org.br –, bastante completo, que permite o aprofundamento dos temas sugeridos pelo museu, como língua e literatura, língua falada e língua escrita.

 

Em lugar de estimular a contemplação passiva, a intenção do museu é proporcionar 37 ao visitante a vivência de um variado universo de sons, formas, cores, palavras, imagens e movimento. Tudo com muita tecnologia.


Raízes e mantra
Dois belos e amplos elevadores panorâmicos dão acesso ao Museu da Língua Portuguesa. Neles ouvimos duas vozes. Uma, feminina, semelhante à que se ouve nos trens do metrô, nos informa sobre a chegada aos andares, o fechamento e a abertura das portas. Embora não possa camuflar sua natureza de gravação, é uma voz gentil. Representa a dimensão cidadã do museu, o tratamento cordato e eficiente que ele dispensa aos visitantes.


Ao fundo, contudo, há uma voz mais conhecida. O poeta, compositor e cantor Arnaldo Antunes se expressa em meio a sons intrigantes. Criação sua e do também poeta Antônio Risério, é uma espécie de
“mantra”, feito com base nos vocábulos “língua” e “palavra”, continuamente repetidos em diferentes idiomas. Contrasta com a gentil voz mecânica, anônima e prestativa. É uma voz que tem nome, mas o conteúdo que veicula não quer ser útil. Quer encantar, envolver e – por que não? – perturbar.


Embalado pelo mantra de Antunes e Risério, o elevador desliza ao largo da Árvore da Língua, uma iluminada escultura de 16 metros de altura, em forma arbórea, criação do designer Rafic Farah. É uma metáfora clássica nas ciências da linguagem. A terminologia que classifica as línguas do mundo fala em troncos e ramos lingüísticos. Os esquemas que representam essas classificações também são semelhantes a árvores.


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